Padre António Fernandes Teixeira
Fui visitar a Ilha de Moçambique e o seu missionário ? Padre António Lopes. Fiquei deveras sensibilizado com o que vi: A Ilha muito degradada e a população numa miséria total.
Há cerca de 11 anos, quando foi introduzido no sistema de contribuições e impostos de Portugal o IRS (Imposto sobre o Rendimento das pessoas Singulares) ,os capelães militares, por força do instituído na Concordata assinada em 1940 entre o Governo Português e a Santa Sé, ficaram isentos do pagamento do referido imposto.
No meu caso, achei que devia dar uma finalidade humanitária à parcela do meu vencimento que se destinava ao pagamento do IRS, se o pagasse.
Assim, comecei a ir anualmente durante o meu período férias, para os PALOPs, com a AMI, levando comigo o valor do imposto para desenvolver trabalho humanitário.
Numa das idas, fui visitar a Ilha de Moçambique e o seu missionário ? Padre António Lopes. Fiquei deveras sensibilizado com o que vi:
- A Ilha muito degradada e a população numa miséria total. O pobre do Padre Lopes tinha na altura cerca de 80 jovens (rapazes e raparigas) em dois lares, que de lares só tinham o nome;
- Uma autentica miséria! Nem pregos tinham para pendurar os seus andrajos na parede;
- Comiam com as mãos, sem colher;
- Alguns iam para a escola descalços;
- Não tinham material escolar.
O Padre Lopes convidou-me a ir ajuda-lo no ano seguinte. Assim aconteceu. Nunca mais deixei de ir e de levar o que podia. Entretanto, gerou-se a volta das minhas idas uma onda de solidariedade. Logo no ano seguinte levei comigo um socorrista, Helder Mestre, que tinha sido recruta num dos quartéis onde prestei assistência religiosa e fizemo-nos acompanhar de alguns medicamentos. Ele fez um trabalho extraordinário, prestando cuidados de saúde primários aquela pobre gente.
Passei também a levar, para alem do valor do IRS, outras dadivas de pessoas e empresas, medicamentos, óculos, enxadas, anzóis, fio de pesca, algumas roupas. E levava sobretudo muita colaboração. Durante dois anos foi comigo a Senhora Enfermeira Teresa Carrilho, de Torres Novas.
Tudo foi crescendo. Abrimos poços no mato. Um deles onde não havia ninguém mas no ano seguinte já estava próxima deste poço uma pequena população. Então, fundamos aí uma escolinha. Fundámos ainda mais 3 escolinhas junto de outros poços que entretanto abrimos.
Estas escolinhas são o nosso encanto. Nelas ensinamos o português as crianças para que quando entrem na escola já saibam falar um pouco da língua oficial do seu país. Damos ao meio da manhã uma papa de milho que é confeccionada pelas mamãs das crianças, segundo uma escala feita pelos professores. Com a contratação dos professores, abrimos postos de trabalho e, consequentemente, demos mais estabilidade a quatro famílias.
O Padre Lopes pede-nos que assumamos outras escolinhas que entretanto foram abandonadas por uma outra Organização não Governamental. Por outro lado, com fundos angariados em Portugal e nos EUA junto das comunidades, conseguimos comprar um carro/ambulância para transportar doentes, sobretudo do mato para o hospital e vice-versa, alimentos para as crianças do mato e dar apoio em transporte as voltas do Padre Lopes ( carregar milho para a moagem, água para a cozinha, e outras voltas essenciais ao dia a dia dos actuais 106 rapazes que o Padre Lopes alberga num espaço diminuto e sem condições).
Também com as dádivas de Portugal e dos EUA, compramos um barco de pesca com vista a que haja peixe no lar para os jovens. Junto de algumas comunidades do continente moçambicano, desenvolvemos durante alguns meses e por duas vezes acções de assistência sanitária e de enfermagem através da enfermeira Teresa Carrilho.
Alguns dos jovens que, com a ajuda de muitos de nós, tem progredido na escola, estão agora em condições de se matricular na universidade, escolas agrícolas, escolas de enfermagem, entre outras. Acontece que as matriculas nas referidas escolas são altamente dispendiosas e não tenho conseguido mais do que três bolsas para o prosseguimento do estudo de três jovens apenas.
É muito frustrante sentir os jovens a querer progredir e não poder continuar a ajudá-los.
De forma a dar continuidade a esta ajuda, que já tem uma dimensão que ultrapassa as minhas capacidades individuais e como capelão, e também para poder recolher para esta população fundos das cooperações internacionais a que não só tem direito mas são altamente merecedoras, predispus-me, junto com a comunidade cristã e outras pessoas de boa vontade que me e nos tem apoiado nesta missão, , fundar em Portugal uma associação de caracter humanitário, que ira gerir a recolha de fundos e a sua aplicação no Distrito da Ilha de Moçambique.
Para poder também recolher os apoios dos EUA e os das cooperações em Moçambique, vamos também registar uma associação com o mesmo caracter neste país.
A associação, denominada Associação Fraterna de Apoio á Ilha De Moçambique, AFIM ? MUIPITI, está em fase de registo legal em Portugal e em Moçambique, seguindo-se o pedido de uso da Lei do Mecenato, de forma a poder entregar o respectivo recibo de isenção aos nossos patrocinadores.
Em Portugal, continuarei eu a ser o responsável pelas acções e a AFIM-MUIPITI tem já uma conta bancaria na Caixa Geral de Depósitos, balcão de Mafra, com o numero de identificação bancária NIB 003504260003660053026, onde poderão fazer directamente os depósitos mas sempre, agradecemos, mandando-nos a respectiva informação.
Em Moçambique, e em Maputo em particular a AFIM-MUIPITI vai abrir uma conta bancaria no Banco de Comércio e Indústria ? BCI, e terá como pessoa responsável, até á legalização da AFIM-MUIPITI, a Senhora Dra. Isabel Ramos, Voluntária das Nações Unidas. Na Ilha de Moçambique, e a trabalhar directamente com o Padre Lopes, estará a partir de Janeiro o Sr. Helder Mestre, que volta assim para dar continuidade ao trabalho já iniciado.
Quanto à Senhora Enfermeira Teresa Carrilho, aguardamos apenas o apoio financeiro necessário para que ela volte á Ilha de Moçambique, de forma a continuar o seu trabalho de apoio sanitário, que tanta falta tem feito durante esta sua ausência. De referir que a Senhora Enfermeira Teresa Carrilho, quase sempre aplicou o seu vencimento na manutenção das escolinhas, está neste momento, e até ao final do corrente ano, na Guiné, a desenvolver um trabalho igual, dado Ter sido para onde encontrou o necessário apoio financeiro.
A Cooperação Militar Portuguesa de Nampula, tem dado, e continuará a dar, o apoio logístico e humano necessário, ao acompanhamento a este nosso pessoal destacado no local.
Os nossos projectos seguintes, para além da continuidade do apoio ao acima descrito, são a implementação de um Lar para a Terceira Idade, a abertura de mais poços e escolinhas, a construção de um forno de cal e a construção de um armazém de material de apoio ás actividades das comunidades ? alimentos, utensílios agrícolas, materiais de construção, etc.
Quanto ao nosso orçamento anual actual, e para o qual vos vimos pedir a contribuição possível, é de Esc. 15,000.000$ (Quinze Milhões de Escudos), distribuídos da seguinte forma:
- Consumiveis ...... 2,000.000$
- Alimentação ...... 3,000.000$
- Escolinhas ........ 2,500.000$
- Salário................ 3,000.000$ (Helder Mestre )
- Salário................ 3,000.000$ (Enfermeira Teresa Carrilho)
- Novos Projectos 1,500.000$
Estamos á procura de um Revisor Oficial de Contas ou empresa de auditoria que, em ambos os países, se solidarize com a nossa causa e faça a apresentação e aprovação anual do balanço e demonstração de resultados. Naturalmente, sempre estes documentos vos serão entregues e estarão ao dispor para a consulta que entenderem fazer.
Grato desde já, em meu nome e das comunidades destinatárias destas acções, pelo tempo dispensado e pelo apoio que nos possam dar, apresento os meus melhores cumprimentos e, na expectativa de uma resposta Vossa.
Padre António Fernandes Texeira
Irmão Franciscano / Capelão Militar
Membro fundandor da AFIM













